Brasil publica norma para organizar uso de gêmeos digitais; o que vem agora?


O Brasil deu um passo para estruturar o uso de gêmeos digitais com a publicação da norma ABNT NBR ISO/IEC 3173. 


Imagem ilustrativa: Sambeet D from Pixabay

A tecnologia conecta ativos físicos a representações virtuais para monitoramento, simulação e apoio à tomada de decisão. 

O tema foi discutido em evento online promovido pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), responsável por liderar a tradução e adaptação de padrões internacionais no país.

Leia mais a seguir, a partir de informações disponibilizadas pela ABINC: 


A iniciativa busca reduzir divergências conceituais, fortalecer a interoperabilidade tecnológica e acelerar a maturidade do mercado nacional. 

Segundo o presidente da ABINC, Rogério Moreira, o potencial econômico é significativo. 

“Esse é um mercado que pode chegar a 110 bilhões de dólares em 2028. Nós estamos querendo explorar mais esse tema porque ele tem uma relação muito forte com IoT”, afirmou.

O que destaca a norma:

  • A norma estabelece um vocabulário comum para o setor e define formalmente o conceito de gêmeo digital como a representação digital de um ativo físico conectada por dados e sincronização contínua entre os mundos físico e virtual. 

Para Bruno Medina, especialista na área e líder do grupo técnico da ABINC, a padronização era necessária diante da diversidade de interpretações existentes no mercado.

“Diferentes organizações adotam definições que não se batem. A norma vem para dar essa base, para que todo mundo possa falar na mesma língua e reduzir ambiguidades”, explicou.

De acordo com Medina, o documento tem caráter conceitual, e não prescritivo. 

“A norma é uma bússola conceitual, não é um manual de como implementar. Ela traz conceitos fundamentais e terminologia, mas não prescreve arquitetura nem tecnologias específicas”, destacou. 

O que quer a proposta: 

  • A proposta é evitar confusões entre gêmeos digitais e outras soluções, como modelos digitais estáticos, simulações isoladas ou visualizações tridimensionais sem conexão dinâmica com ativos reais.

A relação com a Internet das Coisas (IoT) é apontada como elemento central. 

Sensores conectados capturam dados do ambiente físico e permitem que a representação digital acompanhe, em tempo real, o comportamento do ativo monitorado. 

“Nós não podemos pensar em gêmeos digitais sem essa base do IoT”, afirmou Moreira. A aplicação da tecnologia abrange desde monitoramento industrial até projetos urbanos e energéticos.

O que envolve o gêmeo digital:

  • Especialistas ressaltam que um gêmeo digital envolve a integração entre a entidade física, sua representação digital estruturada, fluxos contínuos de dados confiáveis e um vínculo consistente entre os dois ambientes. 

As informações coletadas podem ser utilizadas para manutenção preditiva, otimização de processos, simulações e suporte à tomada de decisão estratégica.

Atualmente, os setores mais avançados na adoção da tecnologia são manufatura, infraestrutura, energia e construção civil. 

Entre as aplicações estão a otimização de linhas de produção, gestão de ativos industriais, planejamento urbano, eficiência energética de edifícios e monitoramento de infraestrutura crítica. 

Áreas como saúde, cidades inteligentes e mobilidade urbana também avançam, mas ainda enfrentam desafios relacionados à infraestrutura de sensores, interoperabilidade e regulamentação.

Para a ABINC, a padronização técnica é essencial para ampliar o uso da tecnologia no país. 

“Quando a gente fala de interoperabilidade, a gente passa pelo assunto de normas. No Brasil, nós estamos atrasados nesse ponto, e por isso começamos esse movimento”, afirmou Moreira.

A expectativa é que o alinhamento técnico reduza incertezas regulatórias, facilite a integração entre fornecedores e estimule novos modelos de negócio.

A associação informou que outras normas estão em processo de tradução e adaptação, incluindo diretrizes para documentação de casos de uso e análise de aplicações práticas. 

A meta é consolidar uma base regulatória que fortaleça a competitividade brasileira no cenário global de IoT, inteligência artificial e digitalização industrial.